VAI COMEÇAR TUDO DE NOVO!

Enviado em : 17-05-2012 | por : aguinaldo silva | em : Aguinaldo Silva Digital

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Festa na sede da TV Globo Portugal: foi a entrevista coletiva de apresentação à imprensa de “Fina Estampa”. que estréia aqui na proxima segunda-feira. Ricardo Pereira, diretor da Globo aqui em Lisboa fez a apresntação, Lília Cabral e eu respondemos às perguntas de dezenas de jornalistas ansiosos por saber dos detalhes da novela… E também se Lilian brigou com Torloni, se Paulo Rocha fez mesmo sucesso com o mulherio brasileiro, se Marcelo Serrado virou espada de novo depois que a novela terminou… Aquelas perguntas de sempre?Não gente, os jornalistas de Portugal não são fifís, pelo contrário, são seríissimos, queriam saber o que a a novela tem a dizer  ao público português, coisas assim, de alto nível. Eu e Lília ficamos quase duas horas a responder às perguntas… Achamos ótimos… E, depois de tudo, como já tínhamos jantado juntos ontem marcamos de novo pra amanhã. Depois eu dou mais detalhes. Na ausência do Moderador F. Patrício, que se encontra em local incerto e não sabido, pedi encarecidamente à recepcionista de olhos azulíssimos da TV Globo Portugal que fizesse as fotos, e ela se saiu brilhantemente da tarefa. Obrigado quereeeeda!

 

 

 

 

 

CRÔ AGORA É ESPADA!

Enviado em : 11-05-2012 | por : aguinaldo silva | em : Aguinaldo Silva Digital

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Por trás desse queixo quase prognata de macho alfa que Marcelo Serrado agora ostenta já não existe nenhum vestígio do Crodoaldo Valério de “Fina Estampa”. Essa é a marca do grande ator – e Serrado já provou que é um deles: criar fisicamente o seu personagem, dar-lhe o tipo primeiro e depois lhe chegar à alma. Este seu Tonico Bastos de “Gabriela”, um mulherengo incorrigível e obsessivo, tal como seu Crô da minha novela, vai dar muito o que falar.

 

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AQUELES DIAS DE BATALHA

 

 

Bernadete ex-Subiru e agora Piters, aquela minha amiga cearense que há vinte anos pegou um pau-de-arara em Quixadá, adormeceu no ombro do retirante ao lado, e quando acordou estava em Paris (de onde nunca mais saiu), me manda uma carta – Bernie se recusa a aderir aos meios mais modernos de comunicação – na qual, em linhas gerais, proclama o seguinte:

“O teu portal anda muito chato”.

E explica porquê: segundo ela tenho falado demais sobre minisséries, filmes, roteiros… “E nem mais uma palavra sobre a tua (muita) experiência de vida. Volta a relembrar tuas passadas aventuras pessoais! É disso que o povo quer saber. Esquece a tua profissão, que só seria interessante se fosse pelo menos prima-irmã da mais antiga do mundo… Que, aliás, eu exerci aqui em Paris antes de ganhar rios de dinheiro e me tornar uma senhora decente”.

A profissão mais antiga do mundo, vocês sabem: é o taca-taca, a prostituição. Não sei porque Bernie faz essa ilação entre ela e a de novelista. Mas passemos por cima disso e cheguemos ao que ela me pede… Mais um episódio arrebatador da minha vida.

Escrevo “arrebatador” e me lembro da noite de 1967 em que Edilberto Coutinho (na fotícula aí do lado), escritor emérito e homossexual nem sempre assumido, invadiu o alojamento do Batalhão de Guardas da antiga Escola Superior de Guerra, que funcionava no já demolido Palácio Monroe. Enquanto eu esperava que ele saísse de lá algemado direto para uma das masmorras da ditadura (e já pensando pra quem telefonaria a pedir socorro), ele surgiu todo pimpão, cercado por um bando de soldados – alguns apenas de cuecas. E depois de se despedir deles, atravessou a rua e se aproximou de mim triunfalmente. Ainda vesgo de terror eu lhe perguntei:

“O que você fez pra deixar aqueles Catarinas tão excitados?”

E Edilberto respondeu – depois de dar um último adeuzinho pros ditos cujos, que responderam entusiasmados:

“Adivinha!”

E, por mais que eu insistisse o resto daquela noite ele não me forneceu maiores detalhes.

(Um parêntese: os soldados do Batalhão de GuardasPresidencial se chamavam “Catarinas” porque eram selecionados entre os filhos de imigrantes nascidos em Santa Catarina ou no Paraná – e tinham que ser louros, de olhos azuis e com pinta de vikings cujo barco tivesse acabado de aportar em terras brasileiras pra fazer aqui a maior farra… E eles faziam!)

Ah, aquele final dos anos 60, começo dos 70… Quanta repressão e quanta liberdade! Minha casa na Lapa era uma espécie de QG de onde nossas tropas saíam pra se entregar a toda espécie de batalhas… Que, em geral, ganhávamos.

Edilberto Coutinho, que os inimigos chamavam de Edite Coitada, não era da nossa turma, mas de vez em quando aderia às nossas blitzkriegs. E depois do terceiro copo se tornava de todos o mais ousado, como nesta sua ida aos subterrâneos do Palácio Monroe com meio Batalhão de Guardas. Ele tinha sido a penúltima esperança branca da literatura pernambucana. Eu fui a última, e nós dois falhamos miseravelmente, embora Edilberto tenha falhado menos, pois até o fim da vida (que foi breve) conseguiu manter um certo prestígio como contista. Claro, depois de sua morte seus livros sumiram e ele foi esquecido, como acontece com a maioria absoluta dos escritores brasileiros – portanto, preparem-se meninos, o olvido está à nossa espera bem ali na esquina!

Mas, se como escritor teve uma carreira marromenos, como personagem Edilberto foi um dos mais ricos que já conheci. As histórias que ouvi ou testemunhei a respeito dele, em geral ocorridas durante suas bebedeiras… Lembro-me da frase que despejou sobre um esfingicamente hetero Paulo Francis durante um coquetel:

“Se eu fosse homossexual teria um caso com você”.

Dizem, mas essa parte da história eu não escutei, que o impassível Francis retrucou:

“Nem mesmo com as minhas meias sujas você teria chance…”

Ou aquela outra vez em que ele, ao adentrar já bastante calibrado em outro coquetel – desta vez em homenagem a Jorge Luiz Borges – e ver um famoso crítico literário ajoelhado aos pés do escritor argentino, gritou:

“Não adianta exagerar na adoração, que ele é cego e não está vendo nada!”

Às vezes Edilberto, de tão agressivo, não escapava de levar porradas. Quando ainda estávamos no Recife, ele teve um desentendimento com Fernando Maisa em torno de um rapaz que os dois queriam levar ao mesmo tempo até o banheiro – e por causa disso se tornaram inimigos ferrenhos. Um dia se encontraram no elevador do prédio onde Edilberto morava, um deles travou a porta, trocaram socos durante vários minutos… E o resultado desse entrevero é que Edite quebrou um dedo mínimo que lhe ficou torto pro resto da vida… E que era chamado pelos seus inimigos de “o dedinho da Maisa”.

Comigo Ed, como eu o chamava, sempre foi muito carinhoso. Não brigou comigo nem mesmo quando, certa noite, fui à zona do Recife Velho e convidei metade da tripulação de um navio de guerra americano para uma festa inexistente no seu apartamento… E todos eles lá compareceram.

 

Quando soube de sua morte não o via há anos. Ele meio que se institucionalizara, andava de namoro com os imortais da Academia Brasileira de Letras e se especializara em histórias sobre os bastidores do futebol… O que lhe abria as portas de todos os vestiários. Um dos seus últimos livros de contos, aliás, premiadíssimo, chamou-se “Maracanã Adeus”, e talvez valesse a pena alguma editora se lembrar de relançá-lo no ano da Copa. Mas num país onde mal se conhecem os escritores vivos, quem liga a mínima para a maioria dos mortos?

 

VAMOS DAR UM OSCAR À HBO?

Enviado em : 06-05-2012 | por : aguinaldo silva | em : Aguinaldo Silva Digital

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O que seria de todos nós, roteiristas ou apreciadores da ficção televisiva se não fosse a HBO? Sei, pra muitos dos executivos da empresa tudo que fazem é apenas business; mas o fato é que eles mantêm o negócio todo num altíssimo nível; e há anos não param de nos surpreender com seus produtos, dos quais pra mim a última excelência foi esta “Mildred Pierce”: a minissérie, que não sei se vocês já viram e eu acabei de ver agora, e cuja cena mais violenta – o embate entre mãe e filha por causa do mesmo homem – pode ser vista no vídeo abaixo.

 

“Mildred Pierce” tem uma longa, longuíssima história. O livro foi escrito em 1941 por James M. Cain, um autor noir cujas obras, devidamente adaptadas para o cinema, renderam grandes sucessos. Esse especialmente, filmado em 1945, deu uma longa sobrevida à sua estrela, Joan Crawford, que tinha se tornado veneno de bilheteria e voltou com tudo graças ele: no ano seguinte “Mildred” lhe rendeu seu único Oscar. E é famosa a foto de Joan (abaixo), que faltou à cerimônia alegando uma indisposição, a receber a estatueta cercada de fotógrafos… Na cama e de camisola!

 

A história da mulher suburbana, que tem um incrível talento pra culinária – e pra comercializar a comida que produz -, e cuja filha morre de vergonha dela, acabaria por inspirar uma novela de que sou um dos autores, “Vale Tudo”, na qual Raquel e Maria de Fátima tinham apenas um pouco menos de semelhança com Mildred e sua filha Veda do que a decência permitia.

Em sua versão cinematográfica de 1945 dirigida por Michael Curtiz, muitas liberdades foram permitidas na adaptação do livro seco e cáustico de Cain. Mesmo assim o filme “Mildred Pierce” é melodrama puro, com toda a grandiloquência que é a próporia essência do gênero… E que eu adoro.

Tantos anos depois, na minissérie que Todd Haynes dirigiu para a HBO com uma irretocável Kate Winslet a nos fazer esquecer de Joan Crawford (por este trabalho ela mereceu a honraria de um Emmy, que é o Oscar televisivo) o melodrama está lá e é ainda mais exacerbado… Porém a fidelidade ao livro é talvez o seu maior mérito. Essa Mildred de agora é enriquecida pelo poderoso roteiro de Todd Haynes e John Raymond – que segue o livro de Cain praticamente cena a cena, aproveitando até alguns dos seus diálogos na íntegra. É uma produção digna de um Oscar, muitos níveis acima de qualquer dos filmes que ganharam a estatueta nos últimos cinco anos.

Ambientada nos anos 30, a história de Mildred, desde que foi filmada pela primeira vez, reverberou durante todos esses anos sobre a história do cinema, mas é agora, na televisão, e graças à HBO, que ela ganha sua versão definitiva. Comprem a caixa, e vejam nos DVDs sem as irritantes interrupções que tornam atualmente a nossa tevê a cabo menos um prazer e mais um castigo. Embalada pela música quase obsessiva de Carter Burwell, iluminada pela fotografia de Edward Lachman, cujas cores sombrias por vezes sugerem o noir do filme original – basta prestar atenção no video acima -, “Mildred Pierce”, a minissérie televisiva, é uma obra prima.

 

TEM CULPA EU?…

Enviado em : 01-05-2012 | por : aguinaldo silva | em : Aguinaldo Silva Digital

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Acordo aqui em Lisboa às 6h da matina, vou ao twitter e levo o maior susto: “Roque Santeiro” é o terceiro assunto mais comentado no twitter Brasil! Levo alguns segundos para entender que não, eu não entrei no túnel do tempo e fui parar em 1986… É a reprise da novela que, pelo que pude entender, chegou ao final ontem no Canal Viva e arrasou de novo na audiência!

Mas que sina essa minha, né não? Até uma novela que escrevi há 25 anos volta e se torna campeã de audiência outra vez? Eu sei – muitos por aí dirão que sou metido a besta, mas, diante deste sucesso todo eu lhes pergunto: tem culpa eu?

Não tenho, nem sou culpado se as altas audiências me perseguem como se fossem mosquitos sedentos de sangue. Pra vocês terem uma idéia: antes de ser – de novo – campeã de audiência “Roque Santeiro” já tinha batido récordes nas vendas do DVD.

E é nesse terreno dos DVDs que lhes reservo uma surpresa. “Tieta”, outra das minhas malditas campeãs de audiência, será lançada em breve em DVD. E a pessoa encarregada de editá-la já me segredou que foi quase impossível cortar alguma coisa, por isso ela será vendida praticamente completa… E quando eu digo será vendida, eu quero dizer que será muitíssimo comprada, por isso volto a lhes perguntar: tem culpa eu?

 

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CURSO DE ROTEIRO: FAÇA VOCÊ MESMO!

Como vocês estão mortos de tanto saber, desde 1984 escrevo novelas: já escrevi 13. E, embora sete delas figurem no ranking das novelas de maior audiência de todos os tempos na Rede Globo, 28 anos depois de escrever a primeira ainda me considero um aprendiz do gênero. Talvez, se escrever mais 13 novelas nos próximos 28 anos, afinal possa vir aqui e dizer pra vocês cheio de orgulho – “gente, até que eu sei fazer essa merda direitinho!”

Claro, muitos de vocês, por causa desse meu jeito enfezado de ser, não acharão isso nunca, e farão sempre questão de afirmá-lo, embora a personalidade do autor não deva ser levada em conta quando se trata de julgar o seu trabalho. Se eu fosse bonzinho, gentil e simpático como muita gente prefere ser, vocês gostariam de mim… Mas eu estaria sendo falso. De qualquer modo não é este o tema desse post, e sim o fato de que o autor de novela nunca deixa de ser um mero aprendiz do gênero.

Pois ser sempre um aprendiz é a condição básica pra um de nós vir a se tornar algum dia um grande telenovelista – não esquecer jamais o fato de que cada novela que escreve não passa de mais uma fase de um longo e penoso aprendizado. É por isso, por saber que sou apenas um aprendiz, que nunca escrevo a mesma novela e faço de cada uma delas uma nova experiência em minha carreira. Não existem novelas mais diferentes uma das outras que “Porto dos Milagres”, “Senhora do Destino”, “Duas Caras” e “Fina Estampa”… E podem ter certeza que a minha próxima – que, segundo tudo indica, estreará mais cedo do que a decência permite -, será diferente de todas elas.

E esse aprendizado não se limita ao período em que estou a vomitar capítulo após capítulo de 37 páginas, não… Eu sou um aprendiz de novelista full time. Novela, vocês sabem, é melodrama e é roteiro… E é através desse último que a galinha novelista bota o seu enorme e reluzente ovo. Por isso, mesmo de férias, fico a praticar verdadeiras blitzkriegs sobre o gênero, ou seja, improvisando cursos dos quais o único e aplicado aluno sou eu mesmo.

Agora mesmo, aqui em Portugal, fiz um desses cursos. E como sou generoso e estou sempre preocupado em patrocinar o surgimento de outros novelistas, dou agora a vocês a receita do mesmo, já que ele pode ser feito por qualquer um de vocês… E em casa!

Aí vai.

 

Passem numa livraria e comprem dois livros: “Breakfast na Tiffany´s”, de Truman Capote, e “Quinta Avenida, 5 da manhã”, de Sam Wasson;

Baixem na internet o roteiro do filme “Breakfast at Tiffany´s”, de Blake Edwards (1961). No Brasil o filme se chamou “Bonequinha de Luxo”, mas claro, pobres como somos na matéria, não temos uma tradução do roteiro;

Entrem na FNAC e comprem o DVD ou o blu-ray com a cópia restaurada do filme (pelo amor de Deus: a cópia antiga já não vale!);

Leiam, pela ordem: primeiro o livro de Capote, depois o roteiro do filme de Edwards, e por último o maravilhoso, sensacional, arrasador livro de Sam Wasson, que tem o subtítulo: “Audrey Hepburn, Bonequinha de Luxo e o surgimento da mulher moderna”;

E, finalmente, vejam, revejam e trevejam o filme com o roteiro nas mãos, analisem cada cena – como está no papel e como ficou no filme – e concluam, como eu, que não por acaso ele é um documento fiel e certeiro de sua época e um ícone de todos os tempos… Além de cinema na mais pura acepção do gênero.

Podem estar certos: depois de dar esse curso rápido e intensivo pra si mesmos vocês, que alimentam o sonho de um dia se tornar roteiristas, estarão bem mais ricos de informações sobre o assunto; e os outros, que sentem apenas curiosidade em relação aos making offs do gênero, terão aprendido um pouco mais sobre o tema.

 

AGUINALTAS EM LISBOA!

Enviado em : 26-04-2012 | por : aguinaldo silva | em : Aguinaldo Silva Digital

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Pra quem ainda não sabe: os aguinaltas são pessoas que se conheceram virtualmente aqui no meu portal (ou até antes, no antigo blogão), passaram a se corresponder entre si e se tornaram amigos. De vez em quando um grupo deles promove um encontro pra se conhecer pessoalmente. Os do Rio Grande do Sul, liderados pelo nosso Alexandre Ganso, já fizeram vários. No Rio de Janeiro tivemos um recentemente… E neste sábado aconteceu o primeiro aqui em Lisboa… Um encontro mais internacional ainda, porque a ele compareceu Gabriela Vidal, uma brasileira que mora em Nápoles!

Claro, falou-se muito dos ausentes, e o ausente mais comentado foi… Moacir Jardim! Mas também se falou de tudo – de novela, do Brasil, da situação de Portugal, de outros aguinaltas… Lá estavam, além de Gabriela, Magdalena Salinas, aqui mesmo de Lisboa, que organizou tudo; Susana Rocha, que veio do Porto com o marido Nuno Santos (Nuno ou Bruno Santos? Meu Deus, ninguém conseguiu me tirar essa dúvida!); Paulo Andrade, que é de Aveiro; eu e o Luis Ferreira que, na ausência do Moderador Francisco Patrício, se encarregou das fotos.

O almoço foi no bistrô do Sheraton Hotel, cuja diretora de comidas & bebidas, Ana Maria Lamas, fez questão de nos receber em grande estilo. Eu, que já sou cliente de lá – sempre almoço no bistrô do Sheraton depois de passar por uma sessão de massagem e embelezamento no SPA do hotel – adorei tudo.

E adorei mais ainda as duas horas durante as quais decorreram o almoço e a conversa. De tanto assunto, quase não saíamos mais de lá! Vejam as fotos. Na de cima, pela ordem: eu, Magdalena, Gabriela, Paulo, Nuno (ou Bruno!) e Susana. E aqui embaixo, também pela ordem: Nuno, Susana, Magdalena, eu, Gabriela e Paulo Andrade. No final, ficou decidido: o próximo encontro em Portugal será no Porto! Estarei lá.

 

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MARIA MACHADÃO ESTÁ VIVA!

 

Eu sei, não é preciso que me digam, mea culpa: fui infeliz no comentário feito no twitter sobre a futura performance de Ivete Sangalo como Maria Machadão em “Gabriela” (na foto acima). Mas senhores do júri, antes de me condenarem à fogueira, por favor, me ouçam, que eu tenho um atenuante… Morro de ciúmes da Maria Machadão de Eloisa Mafalda (na foto abaixo); e se tivesse de selecionar dez performances inesquecíveis em telenovelas nos últimos 37 anos, esta certamente estaria na lista.

 

Na época de “Gabriela” eu trabalhava à noite, e assim não via televisão, e menos ainda telenovelas. Mas “Gabriela”, fã de Jorge Amado que era, vi o que pude numa televisão instalada num jirau da redação de O Globo onde então ficava o segundo caderno, e onde reinava outra figura inesquecível da minha vida, o jornalista Carlos Menezes. Todos os dias, às dez da noite, eu anunciava: “vou fazer um lanche!” E corria pro jirau, ligava a televisão baixinho e ficava esperando que aquele desfile de super-atores culminasse com a aparição diária de Mafalda e suas sobrancelhas que pareciam perguntar aos que a viam: “que droga de mundo é esse?”

Mafalda era uma atriz e peras. Tive a honra de trabalhar com ela várias vezes – uma num telefilme chamado “A Vida Começa aos 50” em que ela contracenava com Lima Duarte (era uma história romântica!), outra, em “Pedra Sobre Pedra”, na qual ela fez Gioconda Pontes, uma das minhas vilãs inesquecíveis (pelo menos pra mim)… Sem falar em “Roque Santeiro”, na qual ela viveu outra personagem icônica, a dona Pombinha. Paulo Ubiratan, o maior de todos os diretores de novelas, sempre me dizia: “na dúvida chama Lima Duarte”. O que ele não dizia, mas tenho certeza que pensava, era: “e se ainda restar alguma dúvida chama Eloísa Mafalda”.

Essa grande atriz, que deixou a televisão, mas faz muita falta, fez de Maria Machadão, na minha modestíssima opinião, uma personagem capaz de passar a humanidade inteira com um simples alçar de suas sobrancelhas. Sua performance foi maior que a vida… E por isso, só por isso (mil perdões Ivete!), é que este seu fã ardoroso gostaria que Maria Machadão fosse sempre ela.

Mas como eu mesmo digo aqui, o mundo gira e a carruagem anda. E assim uma nova versão de “Gabriela” daqui a pouco irá ao ar. Pra quem se lembra da primeira, como eu, comparar será inevitável… Mas não será justo. Aquela “Gabriela” foi a melhor possível do seu tempo… E pra televisão, que tempos de ouro eram aqueles, meu Deus!

Mas agora os tempos são outros. Assim, eu venho aqui, muito humildemente, retirar o que disse sobre Ivete, ainda mais depois de constatar, olhando sua foto lá em cima, o quanto ela ficou linda como Maria Machadão… Tão linda que, de todas as mulheres do Bataclan, seria a mais requisitada se “Gabriela” fosse a vida real e não uma novela.

 

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“O QUE QUE É ISSO, GENTE?”

 

O documento abaixo, uma carta aberta assinada pelo ator Wagner Moura, já foi muito lido e discutido. Mas, pela sua pertinência, nunca é demais divulgá-lo, por isso peço licença ao ator, e à Globo.Com, que o divulgou originalmente, para republicá-lo aqui, sem maiores comentários, já que ele fala por si só… E diz tudo.

 

“Quando estava saindo da cerimônia de entrega do prêmio APCA, há duas semanas em São Paulo, fui abordado por um rapaz meio abobalhado. Ele disse que me amava, chegou a me dar um beijo no rosto e pediu uma entrevista para seu programa de TV no interior. Mesmo estando com o táxi de porta aberta me esperando, achei que seria rude sair andando e negar a entrevista, que de alguma forma poderia ajudar o cara, sei lá, eu sou da época da gentileza, do muito obrigado e do por favor, acredito no ser humano e ainda sou canceriano e baiano, ou seja, um babaca total. Ele me perguntou uma ou duas bobagens, e eu respondi, quando, de repente, apareceu outro apresentador do programa com a mão melecada de gel, passou na minha cabeça e ficou olhando para a câmera rindo.

Foi tão surreal que no começo eu não acreditei, depois fui percebendo que estava fazendo parte de um programa de TV, desses que sacaneiam as pessoas. Na hora eu pensei, como qualquer homem que sofre uma agressão, em enfiar a porrada no garoto, mas imediatamente entendi que era isso mesmo que ele queria, e aí bateu uma profunda tristeza com a condição humana, e tudo que consegui foi suspirar algo tipo “que coisa horrível” (o horror, o horror), virar as costas e entrar no carro.

Mesmo assim fui perseguido por eles. Não satisfeito, o rapaz abriu a porta do táxi depois que eu entrei, eu tentei fechar de novo, e ele colocou a perna, uma coisa horrorosa, violenta mesmo. Tive vontade de dizer: cara, cê tá louco, me respeita, eu sou um pai de família! Mas fiquei quieto, tipo assalto, em que reagir é pior.

” O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice ”

O táxi foi embora. No caminho, eu pensava no fundo do poço em que chegamos. Meu Deus, será que alguém realmente acha que jogar meleca nos outros é engraçado? Qual será o próximo passo? Tacar cocô nas pessoas? Atingir os incautos com pedaços de pau para o deleite sorridente do telespectador? Compartilho minha indignação porque sei que ela diz respeito a muitos; pessoas públicas ou anônimas, que não compactuam com esse circo de horrores que faz, por exemplo, com que uma emissora de TV passe o dia INTEIRO mostrando imagens da menina Isabella. Estamos nos bestializando, nos idiotizando. O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice. Amigos, a mediocridade é amiga da barbárie! E a coisa tá feia.

Digo isso com a consciência de quem nunca jogou o jogo bobo da celebridade. Não sou celebridade de nada, sou ator. Entendo que apareço na TV das pessoas e gosto quando alguém vem dizer que curte meu trabalho, assim como deve gostar o jornalista, o médico ou o carpinteiro que ouve um elogio. Gosto de ser conhecido pelo que faço, mas não suporto falta de educação. O preço da fama? Não engulo essa. Tive pai e mãe. Tinham pais esses paparazzi que mataram a princesa Diana? É jornalismo isso? Aliás, dá para ter respeito por um sujeito que fica escondido atrás de uma árvore para fotografar uma criança no parquinho? Dois deles perseguiram uma amiga atriz, grávida de oito meses, por dois quarteirões. Ela passou mal, e os caras continuaram fotografando. Perseguir uma grávida? Ah, mas tá reclamando de quê? Não é famoso? Então agüenta!

O que que é isso, gente? Du Moscovis e Lázaro (Ramos) também já escreveram sobre o assunto, e eu acho que tem, sim, que haver alguma reação por parte dos que não estão a fim de alimentar essa palhaçada. Existe, sim, gente inteligente que não dá a mínima para as fofocas das revistas e as baixarias dos programas de TV. Existe, sim, gente que tem outros valores, como meus amigos do MHuD (Movimento Humanos Direitos), que estão preocupados é em combater o trabalho escravo, a prostituição infantil, a violência agrária, os grandes latifúndios, o aquecimento global e a corrupção. Fazer algo de útil com essa vida efêmera, sem nunca abrir mão do bom humor. Há, sim, gente que pensa diferente. E exigimos, no mínimo, não sermos melecados.


No dia seguinte, o rapaz do programa mandou um e-mail para o escritório que me agencia se desculpando por, segundo suas palavras, a “cagada” que havia feito. Isso naturalmente não o impediu de colocar a cagada no ar. Afinal de contas, vai dar mais audiência. E contra a audiência não há argumentos. Será?” — com Isabel Cristina Silva